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Tudo o que você precisa saber antes de viajar para a Índia

[POST POR UMA VIAJANTE DIFERENTE] Minhas aventuras pela Índia – Parte 1

Muitas pessoas acharam que eu era louca indo pra Índia pela primeira vez e ainda mais sozinha! Diziam que era perigoso e que eu tinha um parafuso a menos na cabeça! Não só foi uma aventura maravilhosa, foi uma viagem que guardarei na memória pro resto da vida! As pessoas são super amáveis, a cultura incrível e a comida então… um paraíso para vegetarianos, que é o meu caso…

Há muitos anos, me interessei em fazer uma viagem pra Índia. Comecei a estudar a geografia, lugares que eu gostaria de conhecer e fui colocando tudo no papel. Demorei 4 anos pra conseguir realizar o meu sonho. Guardando dinheiro, pesquisando muito e tentando
conciliar minhas férias com a do marido e filhos.

Finalmente tudo deu certo e em Julho de 2015 parti pra essa aventura!. De San Diego pra Seattle, pra Dubai e finalmente Mumbai (muitos ainda chamam de Bombay).

Meus maiores interesses – conhecer mais a fundo a história e a cultura, ir aos templos Hindus e aprender um pouco mais sobre essa religião que me fascina e ver de perto os hotéis, como trabalho em hotelaria, isso atiçou minha curiosidade. Os hotéis são incríveis, muitos deles castelos construídos há séculos pelos Marajás e hoje transformados em hotéis de luxo! E claro, ver de perto o Taj Mahal!

A Índia oferece hotéis para todos os gostos e bolsos – desde “homestays” aos hotéis mais luxuosos. Os preços das diárias variam de $5 a $5000 dólares (ou até mais!). Eu optei por hotéis onde eu me sentisse segura, e em média paguei $100 a diária.

Fui na época do Monsoon, onde chove quase todos os dias e o calor é de quase 40 graus com uma umidade absurda. Mas como cresci no Brasil, isso não me incomodou. Os preços dos hotéis são muito mais baratos nessa época, pois muitos turistas preferem visitar o país mais pro final do ano. Os preços das diárias duplicam em meados de Setembro e triplicam em dezembro.

Para entrar no país é necessário visto. Eu optei pelo “Visa on arrival”, que e muito mais fácil. Você faz o pedido online pro Governo da Índia e eles mandam uma confirmação por e mail. Você só precisa imprimir e apresentar na chegada para a imigração. Eles fazem algumas perguntas básicas, carimbam o seu passaporte e pronto.

Também é preciso tomar muitas vacinas antes de ir. A vacina contra febre amarela é mandatória!

Decidir o roteiro não foi muito fácil. O primeiro passo era saber quanto tempo poderia ficar – foram 3 semanas. Depois, tentar fazer um roteiro que fizesse sentido, incluindo transportes (aéreos, ferroviários etc). Muita pesquisa online, tentando decidir quanto tempo ficar em cada lugar.

Depois foi a hora de escolher os hotéis. E que tarefa árdua! Foi assim que decidi: pegava os pontos de interesse (turísticos) de cada cidade e escolhia 4 ou 5 hotéis – começando pela localização. Tentei escolher regiões centrais onde seria fácil me locomover. E pra decidir o hotel – fui eliminando basicamente pelos preços! E também lendo avaliações em sites como TripAdvisor. Adorei todas as minhas escolhas!

O Roteiro

O meu roteiro ficou assim e aqui também cito os hotéis que me hospedei. Mais detalhes sobre essas cidades descrevo na parte 2 das minhas aventuras…

Mumbai​ – 3 noites – JW Marriott Mumbai Juhu. Fiz a reserva para 3 noites pois cheguei as 3 da manhã (horário local) e como não queria ficar esperando no lobby para o horário do check-in, paguei uma noite extra. Coisas de quem trabalha em hotelaria…
Goa​ – 2 noites – Sol de Goa
New​ ​Delhi​ – 3 noites – The Claridges
Agra​ – 1 noite – Double Tree Hotel Agra
Depois de Agra fui para o Estado do Rajasthan:
Samode​ – 1 noite – Samode Palace
Jaipur​ – 2 noites – Samode Haveli
Mandawa​ – 1 noite – Hotel Mandawa Haveli
Nagaur​ – 1 noite – Ranvas Nagaur.
Jodhpur​ – 2 noites – RAAS Jodhpur.
Narla​i – 1 noite – Rawla Narlai.
Udaipur​ – 2 noites – Fateh Prakash.
Mumbai​ – 2 noites – JW Marriott Mumbai Juhu. Aqui novamente paguei 2 diárias pra poder fazer o check-out às 20hs (meu voo saia à meia-noite).

Transporte:

Eu optei por avião pra ir de Mumbai pra Goa, de Goa pra New Delhi e de Udaipur pra Mumbai, para economizar tempo. Mas se você decidir viajar de trem há muitas opções, inclusive os trens noturnos, onde você passa a noite toda viajando. Os trens oferecem várias classes e é uma maneira muito econômica de transporte!

Nas grandes cidades como Mumbai e New Delhi vale a pena andar de tuk-tuk. Como são menores, você se locomove com muito mais rapidez!

E se prepare para poluição: tanto do ar como sonora! Os motoristas buzinam o tempo todo! E o transito tão caótico… Carros, ônibus, motos, bicicletas, tuk-tuks, animais e pessoas, milhares de pessoas! Você tem a sensação de que todos estão ocupando o mesmo espaço! Mas por uma razão inexplicável (ao menos pra mim) o caos é organizado e tudo faz sentido! Sem contar que eles dirigem do “lado errado” (como os ingleses). Demorei pra me acostumar, principalmente pra atravessar as ruas… Nunca sabia pra que lado olhar!

Há muita pobreza, mas é um pais fascinante! As paisagens, a história, a devoção aos milhares de deuses, as cores, a beleza das mulheres, vestidas com os saris coloridos e sempre tão femininas com pulseiras, brincos…

Impossível não se apaixonar…

Algumas dicas:

– Água – só de garrafa, até para escovar os dentes! Evite também comidas cruas como saladas, pois a água usada para lavar os alimentos pode estar contaminada. Pelo menos nos primeiros dias, até o organismo se acostumar, evitando assim a famosa “Delhi Belly”. Não sei se foi sorte, mas eu não passei mal nenhuma vez. O que é raro, pois pelo menos 90% dos viajantes adoecem pelo menos uma vez!

– Leve remédios anti-diarreia e também eletrólitos caso precise se reidratar. Eu levei um remédio prescrito pelo médico (mais potente) e um que comprei sem prescrição. O eletrólito comprei em pó (sachezinhos). Também levei probióticos (em comprimidos).

– Sapatos: confortáveis, fáceis de tirar e pôr nos pés e se for na época do Monsoon, a prova d’água! Eu comprei “crocs” tipo sapatilha e usava todos os dias. Prático pra tirar dos pés, especialmente pra visitar os templos (onde você tem que entrar descalço), e todas as noites lavava e estava pronto pro dia seguinte…

– Roupas: leves e soltas. As mulheres não devem usar decotes, roupas justas ou saias curtas. É uma forma de mostrar respeito à cultura do país, além do mais você já vai se destacar só pelo fato de ser estrangeiro, não precisa chamar ainda mais a atenção usando roupas provocantes!

– Compras: negocie! Faz parte do jogo! Nos bazares e mercados, faça uma oferta e você sempre consegue baixar os preços! O mesmo vale para motoristas de táxis e tuk-tuks.

Outros itens que você não pode esquecer:

– Seguro de viagem – você nunca sabe se vai precisar, vale a pena!

– Adaptador – as tomadas são diferentes.

– Papel higiênico – sempre carregue na bolsa, nunca se sabe se o banheiro vai ter (a maioria dos banheiros tem bidês e papel, mas me deparei com um que não tinha…).

– Desinfetante para mãos ou álcool gel (eu levei uns frasquinhos pequenos e sempre carregava comigo).

– Repelente – comprei um para minhas roupas (que usei antes de ir) e um para a pele.

– Protetor solar – eu levei o mais alto SPF – 100.

– Spray contra percevejos (os famosos bed bugs). Eu comprei um chamado “Rest Easy” e coloquei em todas as camas nos hotéis que me hospedei. Tem um cheirinho de canela e é natural. Também comprei um repelente pra minha mala que usei por dentro e por fora.

Alguns links úteis:

– Cleartrip – você se cadastra no site e faz reservas de avião e trem (e de hotéis também). Todas as minhas reservas aéreas e
ferroviárias fiz através desse site (www.cleartrip.com)

– Indian Railways – pra viajar de trem você tem que se cadastrar no site oficial do governo. Viajar de trem e muito popular e econômico. Pelo site você tem acesso a todos os trens, horários etc. (www.indianrail.gov.in)

– Visto – O site onde você faz o pedido para o “visa on arrival”, a maneira mais fácil para conseguir o visto (www.indianvisaonline.gov.in)

– Dois sites que eu encontrei e me ajudaram muito na hora de escolher os hoteis e planejar meu roteiro: www.naturalhighsafaris.com e www.i-escape.com

– Um livro que achei muito útil foi o National Geographic Traveler – Índia escrito por Louise Nicholson.

E aqui termina a primeira parte da minha aventura! Em breve tem a continuação!

Continuação: Roteiro de 20 dias pela Índia.

Namaste!!!

Ana Paula