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Florianópolis em 5 dias

Finalmente a temporada de férias está chegando junto com o verão, essa combinação pode ser explorada ao máximo em Florianópolis. Com voos de apenas 1 hora partindo de São Paulo, esse paraíso pode ser muito bem aproveitado em poucos dias.

Curte festas? Praias? Gente bonita? Tranquilidade? Agitação? Lugares badalados? Trilhas? Paisagens naturais? Facilidade de uma cidade estruturada? Restaurantes típicos? Frutos do mar? Se você respondeu sim em pelo menos 1 delas, está na hora de colocar essa cidade no seu roteiro.

Vai ficar de fora dessa? Pegue seu chinelo e venha com a gente nessa cidade.

Spoilers: Esse texto não contém agitação/festas/vida noturna. Eu explico o porquê mais para frente.

Prioridades. É o termo que eu uso para descrever essa viagem, de fato, a cidade é um prato cheio para turistas, com uma estrutura repleta de complexos hoteleiros e pontos turísticos. Você pode optar por ficar no centro, ao redor da Av. Beira Mar, uma das mais famosas de Floripa. É lá onde você encontra a famosíssima Ponte Hercílio Luz, onde acontece a tradicional queima de fogos do Réveillon (melhor você ver pessoalmente do que através da TV). Ou você pode ficar na costa, afastada do centro, porém com estrutura suficiente para te receber, assim a proximidade com as praias facilita seu deslocamento até lá.

Quando eu digo prioridades, se trata do objetivo que você tem em mente ao conhecer Florianópolis. A equação é simples: se quer ficar perto da agitação, vá para o centro. Se quiser praias, vá para a parte da costa. Não subestime a distância ao visualizar o mapa da cidade pois os trajetos são longes e cansativos. Aqui vai a dica: prepare-se para enfrentar a mobilidade – você pode alugar um carro, depender de ônibus ou utilizar o Uber.

Como eu queria mais tranquilidade, acabei restringindo meu roteiro as praias e não me
arrependi em nenhum momento. \o/

Se tratando de locomoção, ao sair do aeroporto não há uber na região pois lá ainda não foi regulamentado, ou seja, ainda acontecem as famosas ”porradas” entre taxistas e motoristas do aplicativo. Já que essa opção estava descartada, resolvi me aventurar em ônibus até o TICEN – uma viagem de taxi até o centro não sairia por menos de R$ 50, em contrapartida, a tarifa do ônibus é de R$ 3,50.

Os ônibus fazem parte do SIM (Sistema Integrado de Mobilidade) e seguem para terminais de integração, por lá a malha de transporte se ramifica e você consegue chegar em áreas mais afastadas. Os pontos de integração são:

TICEN: Centro (o principal, daqui sai o transporte para os demais pontos)
TITRI: Trindade
TILAG: Lagoa da Conceição
TIRIO: Rio Tavares
TISAN: Santo Antônio de Lisboa
TICAN: Canasvieiras

TI = Terminal Integrado

A partir do TICEN, eu fui para o TILAG – Terminal que abastece a Lagoa da Conceição.

PRAIAS

É a hora que o filho chora e a mãe não vê hahaha. Tudo aquilo que você na TV, guias de turismo, Google é verdade. Floripa exala um charme tropical, a ponto de você não acreditar no que vê uma vez que tudo é bonito e muito convidativo. O entardecer aparenta ser aqueles cenários de filmes latinos de romance. Posso te afirmar, seu perfil do Instagram ficará bem recheado. 😉

Costa Leste: Lagoa da Conceição, Praia Mole, Praia da Joaquina, Barra da Lagoa, Moçambique, ,Galhetas etc…

Sul: Campeche, Armação, Matadeiro, Pântano do Sul, Lagoinha do Leste (bem irônico o nome, mas ela fica no sul mesmo).

Norte: Jurerê Internacional, Daniela, Lagoinha do Norte, Santinho, Canasvieiras.

LAGOA DA CONCEIÇÃO

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Lagoa da Conceição

O nome se dá ao fato do local ser uma grande lagoa com águas calmas. É possível nadar ali, porém não há ondas e profundidade, acaba sendo o local perfeito para a prática de Stand Up Paddle, Kitesurf, Caiaque. A espinha dorsal da Lagoa é a Avenida das Rendeiras, lá você encontra hostels, pousadas, restaurantes, bares e baladas por toda sua extensão – tudo que turista gosta, né? A única coisa que não gosta de lá é o dinheiro gasto já que as coisas costumam ser um pouco caras, principalmente no quesito alimentação.

A base alimentícia dos Florianopolitanos é o peixe, 90% das refeições são baseadas na pesca, sendo a tilápia o carro-chefe. Camarões, lulas são muito bem-vindos no cardápio assim como o salmão e anchovas. Aconselho os carnívoros fervorosos a abandonar as carnes bovinas/ suínas porque são mais caras que os peixes.

Seguindo pela avenida, você vai atravessar a ponte e chegar na Av. Afonso Delambert Neto, há toda a estrutura de comércio e até mesmo food parks que funcionam em alguns dias, até às 00h. Ou seja, se você chegar cansado de um dia inteiro de praia e dormir até tarde da noite, tem a opção dos food trucks.

Casas noturnas estavam fechadas nesse período, abrindo de quinta em diante. Para os lugares mais descolados de alimentação, você pode ir no The Black Swam – um restaurante/pub com atividades temáticas de acordo com o dia, jogos na TV, etc… Além disso, há a possibilidade de você ir ao Books & Beers para tomar uma cerveja diferenciada enquanto lê, ou contempla a paisagem do pier que está de frente ao local. O preço é salgado, uma refeição no primeiro é por volta dos R$ 70,00. Enquanto uma cerveja no segundo é por volta dos R$ 25,00.

PRAIA DA JOAQUINA

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Praia de Joaquina

Se você está nas Rendeiras, você pode ir até a famosa Praia da Joaquina a pé, porém prepare a sola do chinelo pois a distância é amarga (tem a opção de ônibus, Uber, taxis). Quando eu digo famosa, é por causa das ondas que propiciam a prática de surf por lá, ou seja, pode esperar a presença de muitos turistas e surfistas na região.

No período em que estive, estava rolando etapa do campeonato de surf, e devido a presença de muita gente, a água não estava com a melhor das aparências. No final da praia há uma espécie de rochedo, com várias pedras onde é possível passar um tempo vislumbrando a praia de um ângulo privilegiado.

As cobiçadas Dunas da Joaquina arrebatam o local com sua variação de montes de areia. Você pode alugar pranchas para esquiar nas areias, e aceitam cartão para o aluguel. Não esqueça os chinelos pois o solo é extremamente quente, ou você cometerá o mesmo erro que eu, pois paguei o preço de ficar mancando durante toda a viagem. =/

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Dunas da Joaquina

Para os famintos, há quiosques e alguns restaurantes próximos a praia. E para os desavisados que vão de carro, há a cobrança de estacionamento, cujo preço varia de R$ 10 a R$ 30. Pelo menos a cerveja vale, 3 por R$ 10,00. Lembrando que não estamos falando de temporada, já que o preço irá variar para cima, infelizmente.

CAMPECHE

Campeche fica mais ao Sul de Floripa, então para quem depende do transporte público, pode pegar um ônibus que sai das Rendeiras. Como a Lagoa da Conceição é mais frequentada, vale a pena pegar um Uber por ali, o trajeto até a praia do Campeche leva uns 20 min e custa aproximadamente R$ 20,00. Porém na volta, há pouquíssimos Ubers na região, então você tem que dar sorte, ou pegar um taxi. No meu caso, só consegui um Uber porque ele havia brigado com a esposa, e para desestressar foi fazer corridas, é aquele negócio: enquanto uns brigam, outros (no meu caso) se dão bem hahahaha. Obrigado Uber Gabriel, se não fosse por você, eu estaria em apuros.

Voltando ao Campeche, a praia é estruturada, porém com bem menos público que a praia da Joaquina por exemplo. Nada demais, correto? Não. Dessa praia você pode ir até a Ilha do Campeche através de botes. Para resumir, a Ilha do Campeche é um local paradísiaco, deserta, tombado como Patrimônio Arqueológico e Paisagístico Nacional pelo IPHAN. Tá bom ou quer mais? Lá as águas são cristalinas, lembrando em muito aquelas paisagens que você encontra quando procura por Tailândia, Laos, etc…

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Campeche

Para chegar lá, há 3 alternativas. 1: barcos saindo da Praia da Armação. 2: barcos saindo da Barra da Lagoa. 3: botes que saem da praia do Campeche. Em época de temporadas, só é permitido a visitação de 500 pessoas por dia em média, portanto, acorde cedo, tome um café reforçado e vá se divertir. Você negocia o horário de volta com os próprios barqueiros e a ordem de visitação é por chegada. O preço acaba sendo salgado: em baixa temporada o trajeto custa R$ 80,00, em alta, já chega a custar R$ 150,00. Para comer, ou você leva sua comida ou frequenta os quiosques locais que não aceitam cartão.

Além de praia, a Ilha conta com guias que te levam até trilhas onde você encontra mirantes, locais abandonados, e até mesmo sítios arqueológicos com inscrições rupestres. O monitoramento também é pago. Garanto, o preço é alto, mas o dia vale a pena pois não há lugar igual em Florianópolis. Ah, cuidado com os quatis, eles “furtam” seus pertences, principalmente comida.

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Campeche

COSTA DA LAGOA

Na minha opinião, é o passeio mais inusitado da minha viagem. Digo, há uma população residente em locais onde não há qualquer tipo de rodovia, estrada, ou caminho que se pode chegar através de transportes comuns. Essa comunidade depende exclusivamente de embarcações para chegar até o comércio da Lagoa da Conceição por exemplo. Sendo assim, há 23 paradas na Costa da Lagoa, o lugar que você chega por barcos que saem do pier na Avenida das Rendeiras. A empresa responsável pelo transporte é a Cooperbarco.

Saindo de hora em hora, você adquire seus ingressos de ida e volta por R$ 15,00, podendo escolher o ponto em que você vai descer. Os pontos 16 ao 23 são cercados por restaurantes onde você pode comer olhando para a lagoa. O 16 é o mais famoso, pois nele há uma cachoeira bastante preservada, sem a presença de turistas. Você deve fazer uma caminhada de 10 minutos até chegar ao local.

Vale muito a pena conhecer o local, pois há o choque de realidade, de um lado a Lagoa: toda estruturada, cheio de comércios e hoteis, do outro, a Costa da Lagoa: com seu estilo de vida pacato, singular. É muito interessante confrontar essa realidade dos habitantes da costa. Andando pela pequena vila, encontrei uma unidade de saúde, até mesmo uma escola infantil. Não significa que por estarem afastados, eles não possuam estrutura para viver.

Para comer, os restaurantes servem além dos tradicionais filés de peixe, a emblemática Sequência de Camarão. Está com fome? Pois bem, vá com tudo esse prato. A base dele é uma porção de arroz, batata frita e pirão. Assim como num ”rodízio”, virá uma rodada de camarão a milanesa, posteriormente uma de camarão ao bafo, em seguida vem uma de camarão alho e óleo. Se seu estômago não encheu, guarde espaço para os filés de tilápia servidas com molho de camarão que chegam no fim do banquete.

Haja sal de frutas, e bastante água para digerir essa refeição. Lembrando que geralmente o prato é para 2 pessoas, e seu valor é de R$ 150,00 em média. Consulte restaurantes que fazem a meia porção e se delicie com esse prato bastante típico de Floripa.

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Costa da Lagoa

GALHETAS

Já pensou em mandar aquele nude para o seu (sua) crush e ainda acreditarem que você teve a ousadia para fazer isso na praia? Galhetas é o seu lugar, por ali, o naturalismo é permitido por lei. Assim você pode sentir-se como veio ao mundo e tomar vento nas partes onde o sol não chega hahaha. Para chegar lá, você pode ir pela Praia Mole, ou se aventurar numa trilha que começa na Barra da Lagoa, lembrando que é uma trilha de dificuldade média à difícil que os mais experientes fazem em 40 min em média. Não cheguei a fazer a trilha ou ir a essa praia, uma pelo condicionamento físico, e outra porque eu prefiro o descanso ao exercício. Prioridades. 🙂
BARRA DA LAGOA

Passei meus dois últimos dias lá. Ela se situa indo ao norte na Lagoa da Conceição, coisa de 20/30 minutos de ônibus do TILAG. Em contraste com o centro da Lagoa, a Barra oferece uma estrutura mais amena, condições para você realmente fugir da movimentação e descansar numa praia sossegada. Você encontra tranquilidade e estrutura mais razoável de hoteis e restaurantes. Infelizmente na baixa temporada, não são todos os restaurantes abertos, e houve uma ligeira dificuldade em encontrar locais para comer, já que a região é turística e funciona plenamente na alta temporada.

Perguntando aos moradores, a movimentação e abertura dos locais acontecem a partir de quinta-feira. Não compensa manter restaurantes abertos durante a semana por causa de mão- de-obra, manipulação de alimentos frescos, contas e todos os fatores que a cartilha do SEBRAE informa sobre empreendedorismo.

A Barra da Lagoa é o local onde se concentra a pesca de Florianópolis, é comum você ver pequenos barcos transitando em direção ao mar para pescar. Se você deseja praticar o espanhol, a comunidade é constituída por muitos argentinos e turistas de todos os lugares do mundo. Esqueça a badalação, se você for para a Barra, saiba que encontrará sossego.

O distrito é separado por uma ponte em meio a um canal. Em relação a praia, do lado esquerdo é onde se concentram os restaurantes, pousadas, etc… Se você cruzar a ponte, você vai para uma área de morro e matas. É possível transitar pelas ínumeras ruelas e vielas por ali, sendo que há grande presença de hostels e pequenas vendinhas. As ”ruas” neste lado são todas irregulares e esburacadas com subidas/descidas, portanto, se você tiver que caminhar com mala por ali, terá dificuldade no seu trajeto.

A Prainha está localizada do outro lado da ponte, com distância de aproximadamente 150m. Ela é mais restrita, com menos fluxo de pessoas, ideal para você deixar suas coisas na areia (mesmo que sozinho) e ir mergulhar ou curtir o sol. Vale a pena passar a tarde ali.

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Prainha

O acesso às Piscinas Naturais são feitas através de trilha, bem mais tranquila em relação à trilha de Galhetas. Com 1,5km de extensão, ela pode ser concluída em 20 a 30min e para chegar nela é simples. Basta ir para o lado esquerdo da ponte, e seguir adiante, haverá identificação de placas. No trajeto você encontrará lugares privilegiados onde pode se observar a Barra da Lagoa inteira.

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Piscinas Naturais

Uma das bases do Projeto Tamar está também na Barra da Lagoa. Passeio que envolve muito conhecimento, você fica sabendo a respeito de diversas curiosidades sobre o mundo das Tartarugas, é uma verdadeira aula de consciência ambiental. Indicado para crianças e adultos, há monitores que explicam todos os preceitos e atividades realizadas pelo projeto. A entrada custa R$ 12,00 e meia, R$ 6.00.

CENTRO DA CIDADE

Passei pelo centro durante os trajetos de ida e volta, porém não tive oportunidade de frequentar os pontos turísticos. A saber, do lado do TICEN há a maior concentração destes pontos: Praça Cruz e Souza, Praça XV, Catedral Metropolitana, Mercado Público e Casa da Alfândega. Em 1 dia você consegue visitar todos os locais. Caso vá de ônibus, dose de paciência na mochila pois são extremamente lotados.

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Centro

Para finalizar, programe-se para não perder a hora do seu voo na volta. A cidade fica entupida no horário de pico, para se ter uma ideia: demorei quase 2h30min no trajeto Barra da Lagoa / Aeroporto com 3 ônibus no caminho.

Florianópolis é uma cidade que te acolhe assustadoramente bem, te deixa com aquele gostinho de ”tenho que voltar aqui, não importa quando” na boca. Se por um lado é tranquilidade, do outro, é uma faceta da diversão que eu ainda desconheço, quem sabe numa próxima.

E você, topa encarar esse destino? Coloque todas as roupas de banho na mala e boa viagem! Depois volte para compartilhar sua experiência conosco.

Até a próxima,
Paulo Takiuti.